Seu filho come demais, é ansiedade?

Vamos começar com a gente? Qual sua relação com a comida? 

Já percebeu que quando há algo alterado no emocional isso afeta a forma como a gente come? Alguns demais, outros de menos… Especialmente alimentos ricos em açúcar e gorduras são procurados por muita gente para aliviar as tensões hormonais, sentimentais, etc. 

Isso acontece porque se alimentar é muito mais do que mastigar e engolir um alimento. Trazemos conosco impressões de toda nossa história com a comida, e da nossa família também! 

Se era forçado a comer, se desde pequeno usava a comida como fonte de alegria ou compensação, se era daqueles que “comia para viver ou vivia para comer”. Você se lembra de como era sua relação com os alimentos na infância? Mesmo memórias inconscientes afetam diretamente seus hábitos alimentares no dia de hoje.

Há muito tempo que não comemos apenas por necessidades fisiológicas, mas também por prazer. E não há nenhum problema em você se sentir feliz depois de uma boa refeição. Mas sem dúvida, se precisa da comida sempre e cada vez mais para isso, se só encontra nela essa satisfação, algo está errado! E neste caso a ajuda de profissionais é necessária (médico, nutricionista, psicólogo, educador físico, etc). 

Por isso faz muita diferença uma mesa posta, a refeição em família, de preferência sem distrações como eletrônicos, introdução alimentar saudável, no momento certo, e mesmo que seja um prato bem simples, mas quando apresentado limpo e arrumadinho, pois já traz outra cara para o nosso apetite ne? 

Temos a grande tendência em repetir padrões de comportamento das pessoas que convivem com a gente, especialmente nos primeiros anos de vida. Então se ninguém come salada em casa, “roemos”uma coisinha o tempo todo, não sentamos à mesa e comemos sem perceber, de pé, assistindo televisão ou rolando a timeline do Instagram, há uma grande possibilidade de influenciar negativamente o relacionamento das crianças da sua casa com a comida. 

Se você perceber estes sinais, atenção:

  • Mastigam pouco o alimento. 
  • Referem estar sempre “morrendo de fome”, choram se você procura estabelecer os horários das refeições, etc
  • Ingerem grande quantidade de comida em pouco tempo.
  • Comem indiscriminadamente, sem fome, com estresse ou outra emoção negativa.
  • Mentem dizendo que não comeram, mas você encontra pacotes de comida abertos ou escondidos no quarto. 
  • Apetite exagerado por doces, guloseimas, fast foods, abandono do paladar por alimentos saudáveis. 

Estes são sinais de que você precisa parar e reavaliar a alimentação da família! A ajuda de profissionais médicos, nutricionistas, fonoaudiologos, psicólogos, entre outras, pode ser necessário também.

Algumas dicas podem ajudar:

  • O leite materno até os 6 meses é o alimento mais completo e indicado para o bebê.
  • Não ofereça açúcar para as crianças antes dos dois anos de idade, pois ele torna o paladar da criança seletivo e interesse no humor e ciclo de sono/vigília. 
  • Também evite o sal no primeiro ano, e ao introduzir, em quantidades mínimas. A comida pode ser temperada com outras opções naturais e saudáveis como alho, limão, manjericão, tomilho, alecrim e orégano. 
  • Estabeleça os horários e rotinas de alimentação da família. Combine antecipadamente, e com as crianças bem pequenas, os quadros de atividades do dia podem ajudar, mostrando figuras representando a hora de comer, tomar banho, dormir, etc. 
  • Priorize os momentos em família à mesa.
  • Evite usar a comida para distrair seus filhos, desde pequenos! (sim, muitos mais usam biscoitos e doces para ocupar as crianças quando precisam que esperem ou se acalmem, e depois esse mecanismo vai fazendo parte dos hábitos deles…).
  • Nos lanches dê referência às frutas e opções saudáveis. 
  • Mesmo se for muito simples, se dedique em servir à mesa com capricho, alegria e com alimentos saudáveis. 
  • Finalmente, olhe pra você e seus hábitos, a gente ensina muito mais pelo exemplo do que pelas ordens que damos. 
  • Se for preciso, recomece de onde está, em direção a uma vida mais saudável, feliz e equilibrada. 

Com carinho, Dra Tati Lemos. 

Pele seca! O que fazer?

Você percebe e a pele do seu filho seca, descamando, às vezes com lesões avermelhadas ou feridas pela coceira? Ele pode ter dermatite atópica, uma doença de diagnóstico clínico pelo seu pediatra, e que muitas vezes vai demandar o acompanhamento de um dermatologista pediátrico também. 

Alguns cuidados são importantes no tratamento das crianças com pele seca, entre eles:

  • Banhos preferencialmente rápidos e mais frios, pois a água quente do banho provoca um ressecamento da pele ainda maior.
  • Use produtos infantis e hipoalergênicos, preferencialmente sem perfume e Sen corantes para evitar possíveis alergias.
  • Dê preferência a usar o sabonete nas áreas mais sujinhas da criança (como axilas, genitais, pés, etc), e quando ensaboar logo enxugue e tire o bebê do banho. Quanto mais tempo ele permanece submerso na água cheia de sabão, as propriedades destes produtos vão retirando ainda mais a camada de gordura natural da pele, provocando maior ressecamento. E se estiver bem calor e quiser aproveitar a água um pouquinho para refrescar seu filho, deixe o sabão para o final do banho, e boa diversão. 
  • Aproveite o momento imediato após o banho para hidratar a pele do seu filho, pois a camada mais externa da pele (epiderme) está mais permeável e permite maior penetração do creme hidratante. 
  • Use de preferência tecidos naturais nas roupas das crianças, pois possibilitam melhor “respiração” da pele, absorvem a umidade corporal e são mais agradáveis ao toque, reduzindo o risco de associarmos a dermatite de contato. 
  • A ingestão de água é algo para prestar muita atenção também! Em torno de 60% do nosso corpo é formado de água, então para manter a pele hidratada, ingerir líquidos também é indispensável.
  • Estações extremas como o verão e o inverno vão exigir um cuidado redobrado na hidratação da pele das crianças, fique atenta! 

E caso seja necessário o uso de medicamentos para coceira ou lesões e feridas que apareçam, procure sempre a avaliação médica primeiro. 

Assiste também o vídeo a seguir, e não deixa de se inscrever no meu canal do Youtube. Toda quarta feira tem um vídeo com conteúdo para você e sua família.

Com carinho, Dra Tati Lemos. 

Quando iniciar a introdução alimentar?

Ei! Bora segurar a ansiedade e aguardar os 6 meses para iniciar a introdução alimentar (IA) dos seus filhos combinado! 😍

Até o sexto mês de vida o leite materno é suficiente e completo para suprir todas as necessidades das crianças conforme as recomendações da Academia Americana de Pediatria, da Organização Mundial de Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. E se for realmente necessário, pode-se complementar com fórmulas artificiais indicadas pelo seu médico. Bom lembrar que quando são prematuros, de acordo com a idade corrigida, a IA dos novos alimentos pode acontecer ainda um pouquinho depois, respeitando a maturidade do seu organismo e os sinais de prontidão de cada bebê! 

Sim! Porque embora ele pareça faminto ao ver vocês à mesa, a introdução precoce de alimentos além do leite pode induzir alergias e problemas digestivos, pois o processo de amadurecimento dos seus órgãos e sistemas não é o mesmo de um nascido a termo. 

Mas você já conhece os principais sinais de prontidão para avaliar a IA? 

Esses pontos são muito importantes porque quando não foram ainda atingidos, podem explicar algumas dificuldades iniciais, e te ajudar a conduzir com ele esse processo. 

Segue então:

  • O bebê já sustenta bem sua cabeça e preferencialmente senta firme sem, ou com mínimo apoio. 
  • Já está perdendo o reflexo de protrusão da língua e não empurra automaticamente os sólidos para fora da boca com a língua.
  • O bebê está pronto e disposto a mastigar.
  • Ele está desenvolvendo o movimento de pinça, começando a tentar pegar os alimentos ou outros objetos pinçando-os entre o polegar e o indicador. Usar os dedos para raspar e prender o alimento na palma da mão (preensão palmar) não substitui o desenvolvimento do movimento de pinça necessário neste momento.
  • Percebe que está ansioso para participar na hora das refeições e pode tentar agarrar comida e colocá-la em sua boca.

Sem essas habilidades, pode haver mais dificuldade e recusa no início da IA. O acompanhamento pediátrico de rotina vai garantir que possam aguardar ou lançar mão de outras alternativas ta bom? 

O importante é que esse momento seja temperado com opções saudáveis, no tempo adequado, e com paciência e amor. 

Assiste também esse vídeo, compartilhe com outras famílias, e juntos vamos cuidar da saúde das próximas gerações ❤️

Com carinho, Dra Tati Lemos

#pediatria #introduçãoalimentar #ia #blw #nutrição #aleitamentomaterno

Meu filho fala pouco, é normal?

“Meu filho fala pouco! É normal?”

👩🏻‍⚕️ Essa é uma dúvida recorrente, e é o assunto do post de hoje. 

O desenvolvimento da linguagem é um processo complexo, e começa muito antes das primeiras palavras claras. A primeira linguagem de comunicação é o choro, depois começam a sorrir, emitir sons… e pelos 6 meses eles iniciam a duplicação das sílabas (bababa, mamama, etc). 

E devemos interagir com eles desde sempre! Sim! Desde o ventre é importante conversar com os bebês, e a cada troca de fralda, mamada, banho, vamos explicando o que acontecerá, valorizando e estimulando a comunicação, que vai muito além das palavras…  O contato visual, os gestos, a interação e os sons que emitem fazem parte desse aprendizado incrível. 

Ao redor dos 18 meses começam a formar as primeiras frases, juntando as palavras como “mamãe colo”, “papai água”, e aumentam o repertório das palavras. 

É importante estar de oho no desenvolvimento do seu filho. Algumas crianças tem atraso na linguagem verbal, mas apresentam excelente interação com os adultos e outras crianças, apontam o que querem, compartilham situações, dão tchau, mandam beijinhos, atendem quando as chamamos pelo seu nome, então precisam apenas serem estimuladas na linguagem verbal também. 

Algumas coisas podem estar atrasando esse processo: 

📍 Quando nos antecipamos muito a eles, oferecendo tudo enquanto apenas maneiam a cabeça fazendo sinais que sim ou não. 

📍 O uso dos bicos que interfere na posição da língua e inibem a articulação das palavras. 

📍 O excesso da exposição às telas, onde as crianças ficam apenas como espectadoras dos diálogos. 

Conhecer o que ajuda e o que atrapalha, cedo detectar possíveis atrasos e iniciar precocemente os estímulos, é o que podemos fazer de melhor para que se desenvolvam bem. 

Outras podem até mesmo tem um vocabulário bom de palavras, mas se percebemos que elas não tem um fim de comunicação, que a interação social de alguma forma não parece o esperado para a sua idade, a avaliação dessa criança também é muito importante! 

Se inscreva também no nosso canal do YouTube 👩🏻‍⚕️ Dra Tati Lemos, assista o vídeo à seguir e vários outros que vocês encontram lá sobre o desenvolvimento infantil. 

Com carinho, Dra Tati Lemos 

#pediatria #atrasodafala #linguagem #desenvolvimentoinfantil

Objetos transacionais do sono

Objetos transicionais de sono são  brinquedos, fraldas de pano, cobertores ou qualquer outra coisa que a criança agarra para ter segurança, principalmente na hora de dormir. 

Não é obrigatório que se tenha um, e isso varia com cada criança, família e cultura onde está inserida. Eles acalmam a criança e podem ajudar a que durma sozinha, são uma transição entre a dependência e a autossuficiência em relação à presença dos pais. Podemos lançar mão deles quando estão deixando a cama compartilhada, indo para o quarto em uma casa nova, quando um familiar está ausente e lhe faz muita falta, etc.

Devemos estar atentos:

  • para que sejam seguros. Bebês muito pequenos não devem ter como objetos transicionais fraldas ou cobertas que possam trazer risco de sufocamento. Atente também para objetos que possam se desprender e ser aspirados, como botões frouxos, olhos e nariz colados em ursinhos, etc. 
  • aos cuidados da higiene destes objetos. Existem casos onde a criança não aceita que se separe dele para lavar por exemplo, trazendo risco de contaminação e transmissão de doenças. 
  • Podem se tornar um problema se a criança não conseguir dormir sem ele. Fique atento e sempre reforce que o objeto é uma boa companhia, mas a criança não “depende” dele. 

Compartilho com vocês que eu tinha um “travesseiro” chamado “cheirinho”. Foi trocado algumas vezes ao longo dos anos. Desde pequena, não que tenha crescido tanto, eu dormia abraçada com ele… até casar! Casei e passou, coincidência ou sabedoria da vovó? kkkkkk

E na sua casa, as crianças usam também? Foi difícil se desfazer deles? Me conta!!

Telas na hora das refeições??

📲 A tecnologia tem tomado conta da maior parte das nossas atividades. Tem aplicativos pra tudo! E é comum encontrarmos crianças nos restaurantes e em casa que só comem se estiverem em frente às telinhas. Eu sei! Quem nunca ne gente 😰? Ainda mais nesse momento de isolamento social, reconhecemos que eles tem tido mais tempo diante das telas do que deviam.

⚠️ E falando nisso, você sabe quanto tempo é recomendado para cada idade?

🔔 A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Mundial de Saúde orientam que até os dois aninhos eles ainda não tenham acesso às telas.

🔔 De 2 a 5 anos, ideal limitar o tempo em até 1 hora ao dia, sempre sob a supervisão de um adulto.

🔔 A partir daí evitar que tenham eletrônicos no quarto, sempre tenham acesso e acompanhe o conteúdo que acessam, e evitem pelo menos uma hora antes de dormir para não atrapalhar o sono.

📢 Mas o tempo de tela não é tão importante como a forma que usam, conteúdo que acessam, e o que deixam de fazer por estar sentados diante delas! É claro que durante a pandemia o período dos estudos on-line não conta nessas orientações, e a própria comunicação com familiares e amigos tem sido permitida justamente por conta dessa tecnologia.

⚠️ A exposição precoce ou demasiada tem trazido reflexos na saúde física e emocional dos pequenos e dos grandões (astenopia digital (vista cansada, ardendo), sedentarismo, obesidade, stress, maior isolamento dentro do isolamento).

Neste sentido, o uso das telas na hora das refeições também pode geral alguns prejuízos que devemos refletir:

– Reduz a interação da criança com os alimentos. Ela perde a oportunidade de desfrutar da refeição, perceber os alimentos, as cores, etc.

– A criança come mais do que precisa, pois não está prestando atenção no que come. Sei que muitos acabam usando esse recurso justamente para ganhar mais umas colheradas em cada refeição, mas esta relação estabelecida com a comida pode gerar problemas futuros.

– Reduzimos a grande oportunidade de conversar à mesa, aproveitar esse tempo em família para construir memórias incríveis com nossos filhos. Com carinho, Dra Tati Lemos

❤️ Enfim, comer é mais do que mastigar e engolir. É uma experiência sensorial e emocional também. Que a gente siga em frente buscando os melhores hábitos possíveis!

#refeicoes #introducaoalimentar #telas #tempodetela #sedentarismo #obesidade #alimentacaosaudavel

Quando iniciar a educação financeira das crianças?

Se você nunca pensou nisto, ou não aplicou, leia este artigo até o fim e comece agora mesmo essa preciosa lição em sua casa. 

Respeitando as devidas proporções, no dia a dia da infância eles vivenciam experiências e vão criando modelos de comportamento que reproduzirão na idade adulta. Por isso ajudar nas tarefas domésticas desde cedo e aprender a lidar com o dinheiro, são coisas que não podemos omitir do “currículo” dos filhos. 

Inicialmente é importante que as crianças e os adolescentes conheçam a realidade da situação financeira da família. Eu sei, é difícil, e nosso desejo é protegê-los das preocupações e dos problemas da vida adulta enquanto não é sua responsabilidade resolvê-los. Mas ocultar momentos de crise financeira não é o melhor caminho. Ainda que de acordo com sua capacidade de compreensão, caberá a lição de economizar um pouco mais, evitar os supérfluos, compreender que uma festa ou passeio precisaram ser adiados para evitar gastos que não sejam indispensáveis, etc. 

Lembre-se de que não precisamos preparar uma aula de finanças para eles. Situações corriqueiras podem ser a oportunidade ideal para ensinar alguns conceitos importantes como desejo e necessidade. Nem todo o desejo pode e deve ser concedido imediatamente. Muitas crianças não toleram a frustração de não ter sua vontade atendida na hora, alimentadas por pais que não toleram a intolerância dos filhos… e a novela está pronta! Esse padrão de comportamento dos pais tende a criar filhos ingratos e que não valorizam as conquistas, pois tudo é muito fácil ao seu acesso. Por outro lado, as necessidades devem vir antes dos desejos, por exemplo nas compras ao supermercado. Leve uma listinha do que é necessário. Vez por outra, se tiverem condições para isto, podemos trazer algo fora do programado. Mas quando as contas estão justas, trazer somente o necessário naquela oportunidade vai dar a criança a noção de prioridades e ensina-la a esperar pelo momento onde os extras podem ser adquiridos. Isso traz paciência, gratidão no momento da conquista, e controle da impulsividade. 

Me lembro que pedia no mercado para a minha mãe: 

  • mãe, podemos levar um doce hoje? Algumas vezes ela dizia sim, outra vezes dizia que hoje não dá, só quando a mãe receber o salário… Quando cresci ela me contou que algumas dessas vezes ela tinha o dinheiro, mas queria me fazer aprender a esperar por uma próxima oportunidade… que lição! 

Se for possível dar ao seu filho uma pequena “mesada”, ele também poderá experimentar decidir onde usar seu dinheirinho, e muitas vezes repensam suas escolhas. Quando minha filha era pequena tinha um cofrinho. Às vezes quando a gente saía ela via um brinquedo, pedia para comprarmos, e quando dizíamos que usaríamos o dinheiro do cofrinho para cobrir o pagamento, ela mudava de idéia e dizia: acho que eu não quero tanto não mamãe!! Sim, pois a noção de que é preciso primeiro juntar para depois gastar os faz valorizar mais o valor que arrecadou e pensar bem onde vai gastá-lo. 

Enfim, no dia a dia surgirão oportunidades para você explicar a eles que não é simplesmente “colocar no cartão”, alguém precisa pagar a fatura né? E esse dinheiro vem do fruto do seu trabalho, é a benção de Deus para suprir as necessidades da sua casa!

Assiste também este vídeo e se ainda não se inscreveu no nosso canal do YouTube corre lá, tem muito conteúdo para a sua família! 

As telinhas e o sono das crianças

Dormir não é perda de tempo. Embora crianças lutem contra ele para aproveitar o máximo do tempo para brincar, e os adultos o negligenciem tanto em favor do trabalho ou de entretenimento, este é um hábito que precisamos tornar mais saudável em todas as gerações.  

A combinação do sono com os aparelhos eletrônicos e as telas pode ser muito prejudicial. Por isso a OMS e Sociedade Brasileira de Pediatria tem apresentado as orientações de tempo limite desta exposição para cada faixa etária. 

Até os dois anos a recomendação é não exposição às telinhas! Parece utópico nos tempos de hoje quando muitos bebês já não fazem suas refeições se não estiverem hipnotizados por um desenho no celular. Mas vamos lembrar que a humanidade chegou até aqui sem essa tecnologia? 

Até os cinco anos a orientação é de exposição de 1 hora por dia, sempre sob supervisão dos pais, e a partir desta idade, em torno de 2 horas ao dia, também sob supervisão dos pais. 

No entanto por conta da pandemia, da ausência do convívio escolar das crianças e a necessidade do distanciamento social, houve um incremento do tempo de tela que as crianças e adolescentes estão expostos. Especialmente os em idade escolar que estão cumprindo as aulas em EAD estão conectados muitas horas do dia. Então, ainda que uma flexibilização nestes limites seja inevitável, também não podemos negligenciar os efeitos negativos deste contexto sobre o sono. 

Primeiro, a luz emitida pela tela destes dispositivos inibe a liberação da melatonina, um hormônio responsável por avisar seu corpo que ele precisa dormir. O sono é indispensável ao bom equilíbrio das funções cerebrais, habilidades adquiridas, sedimentar os conhecimentos e aprendizados do dia, além de ter relação com a defesa imunológica de cada indivíduo. Para um bom ciclo de sono-vigília devemos manter a luminosidade natural do dia, e ao anoitecer, preservar o ambiente sem luz para iniciar o sono. A melatonina é naturalmente secretada ao escurecer, e infelizmente tem sido bloqueada por hábitos ruins de rotinas pré-sono, e buscada com frequência como alternativa medicamentosa buscando burlar os processos fisiológicos. 

Depois, devemos lembrar que especialmente entre os pequenos, não há clara distinção entre o real e o virtual. Embora eles estejam com o corpinho parado, seu cérebro está excitado demais, inundado com uma imensa gama de estímulos visuais e sonoros, e isto vai impactar negativamente na qualidade do seu sono. 

Um estudo recente com 900 crianças em idade pré-escolar feito pela EPM/Unifesp com crianças entre 4 e 6 anos demonstrou que o uso excessivo de mídias de tela aumentou o risco de sedentarismo, habilidades motoras mais pobres e redução das horas de sono. Essas crianças já tinham tempo de tela diário médio de 3 horas antes da pandemia, e esse número subiu para no mínimo 6 horas ao dia. Esse número era ainda maior em algumas famílias, e os impactos negativos proporcionalmente cada vez maiores. 

Então, vamos refletir sobre a qualidade do nosso sono e fazer boas escolhas! 

4 Razões para você não usar mais andador de bebê:

Usar andador de bebê faz mal? É uma pergunta muito frequente das famílias. Esse equipamento já é proibido em muitos lugares, e contraindicado no Brasil pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Vou te mostrar 4 razões importantes para você não usar mais o andador com seu bebê:

1 – Risco de acidentes. Sabia que 1 a 2 em cada 3 crianças que usam andador já sofreram acidentes com traumas graves? Quedas e queimaduras são as mais comuns. Caem do próprio andador quando o escalam, de degraus, mezaninos, escadarias, rampas, etc. Queimam-se no acesso a tomadas, fogão, superfícies ou líquidos quentes. Afogamentos também são frequentes quando as crianças tem acesso a baldes, banheiras, etc, e viram-se sobre estes lugares com o andador. Vários estudos já mostraram que cerca de 70% das crianças que sofreram traumatismos com andadores estavam sob a supervisão de um adulto.

2 – Atraso do desenvolvimento. A criança não está se desenvolvendo mais rápido porque “atravessa a sala no andador aos 8 meses”. Não se engane!!! Pelo contrário. Nesse momento em que ela precisava estar explorando os ambientes, se arrastando, fortalecendo a musculatura das pernas, tentando engatinhar e andar com apoio, ela está simplesmente suspensa em um equipamento que traz a ela uma velocidade que depois a frustra quando ela não atinge sozinha no chão. Bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento. 

3 – Atrapalha o processo de aprender a caminhar, pois no andador a pisada não é natural. A criança apoia a ponta dos pés e se arrasta com a ajuda das rodinhas do equipamento, algo bem diferente do processo de andar, quando ela precisaria apoiar totalmente o seu pé no chão. 

4 – Prejuízos nas articulações da bacia e membros inferiores e na coluna podem acontecer pelo uso do equipamento quando a criança ainda não sustenta a coluna com firmeza, e por não favorecer o mesmo fortalecimento da musculatura que o se arrastar, engatinhar e andar com apoio fornece. 

Desta forma, os andadores de “empurrar”, semelhantes a um carrinho de compras, são menos prejudiciais mas exigem o uso sob vigilância contínua de um responsável, por conta dos tomos eventuais. 

Entendo que você deseja o melhor para seu filho, e vê-lo “independente correndo” pela casa num brinquedo colorido parece ser uma boa opção. Mas saiba que um tapete de borracha e alguns brinquedos no chão são mais baratos, seguros, e uma melhor forma de estimular o desenvolvimento saudável do seu pequeno. Permita que ande apoiado a locais firmes como um sofá, caminhe com ele pela mão, e logo logo estará caminhando de verdade por aí. Confere num outro post aqui no blog onde explico quando é esperado que o bebê caminhe sozinho! Conhecer cada fase do seu desenvolvimento normal vai trazer segurança ao seu filho e ao seu coração.

Se ficou ainda alguma dúvida pode deixar aqui nos comentários, e compartilha essa informação com quem mais precisa saber. 

Usar andador de bebê faz mal?

E o sono da criançada, como vai?

Como vai o sono da criançada? 😴

A pandemia trouxe ainda mais dificuldades para muitas famílias na hora de dormir. Mas um sono de qualidade, reparador, é uma necessidade que continua indispensável para adultos e crianças. 

Se dormirem pouco ou mal, especialmente as crianças ficam mais irritadas e agitadas, perdem rendimento escolar e também sofrem impactos na imunidade. A higiene do sono é uma série de comportamentos, condições do ambiente (como luz, ruidos, etc), e outros fatores relacionados ao sono que podem afetar seu início e manutenção, e compreender esses fatores pode ser a chave para resolver alguns problemas. 

Segue algumas dicas para regularizar esse aspecto importante da rotina da sua casa. 

– Mantenha uma rotina, com horários estabelecidos para dormir e acordar. Especialmente as crianças que estudam pela manhã, deveriam preferencialmente manter seus horários de aula mesmo na pandemia. 

– Tenha persistência nas rotinas, especialmente quando já tinham problemas para dormir e estão estabelecendo novos padrões. Na maior parte das vezes não será um processo imediato. 

– Coloque preferencialmente a criança sempre ainda acordada em sua cama ou berço. Lembre-se que o ritual de sono será repetido durante a noite quando houver os despertares noturnos, normais também na infância. Se as crianças precisam ser embaladas, dormem na cama dos pais, etc, vão precisar deste mesmo processo para reiniciar o sono sempre que acordarem, e ficam muito mais inseguras se acordam em um ambiente diferente de onde dormiram (ex, dorme no colo e é colocado na cama dormindo). 

– As sonecas do dia são bem vindas até 5 anos e devem ser estimuladas, tendo o cuidado de evitar que aconteçam muito no entardecer, pois isso dificultará a manutenção das rotinas do horário do sono da noite. 

– Estabeleça desde cedo as “rotinas do sono”. Aquela sequência de atividades que mostram para a criança que está chegando a hora de dormir. O banho é um excelente marcador inicial. Traz relaxamento e inicia o processo de “desaceleração” das crianças para a hora de dormir. 

– Mudanças, doenças ou viagens podem alterar as rotinas do sono. Tudo bem. Com paciência retomamos a rotina habitual. 

– O ideal seria pelo menos duas horas antes de dormir, desligar as telas (televisão, videogame, tablets, celulares, etc), pois eles promovem um estado de excitação cerebral. Atrapalham a conciliação do sono. Aqui há frequentemente um grande equívoco dos pais, que pensam ser adequado o uso destes recursos, pois as crianças ficam “quietinhas” para dormir vidradas nas programações. Mas não se engane. Ali é apenas um corpinho parado. Seu cérebro está sendo hiper estimulado, e será mais difícil dormir bem. 

– Prefira momentos mais tranquilos e com menos estímulos à noite, como leitura, músicas mais tranquilas, massagem, conversar sobre como foi seu dia, etc. 

– Evite alimentos ou medicações estimulantes próximo da hora    de dormir, como chocolate, refrigerantes, chá mate ou cafeinados. 

– Ao anoitecer, reduza a iluminação dos ambientes, especialmente evitando a luz branca. Evite luzes acesas no quarto. Elas inibem a secreção da melatonina. Um hormônio responsável pela indução do sono. Durante as sonecas do dia a iluminação pode permanecer natural, para que desde cedo eles estabeleçam a regulação do ciclo sono-vigília. 

– Se precisar atender a criança durante a noite, use luz fraca, fale baixo e que seja breve, para evitar os estímulos. 

– Mantenha a temperatura do quarto agradável, e seja sensível aos sinais de desconforto da criança quando colocamos roupa demais e a criança tem despertares muito suada, tira sempre as cobertas durante a noite. É frequente que os pais usem mais roupas ou cobertas a noite do que a criança precise ou deseja. Também estar atento às que preferem ficar mais agasalhadas. 

– Alguns sinais para que você perceba se a quantidade de sono diária do seu filho é adequada, é quando a criança acorda sem dificuldades, sem sonolência excessiva durante o dia, e sem afetar seu humor e funções cognitivas como memória e atenção. 

Se esse conteúdo ajudou você, me conta, e compartilhe com outras famílias.