Pare! Olhe! Escute!

Infelizmente muitas vezes a rotina estressada e ocupada dos pais vai os afastando da comunicação com seus filhos. 

A família deve ser o lugar de proteção de uma criança. Onde ele aprende, recebe estímulos, limites, cuidado e amor. 

Hoje é muito frequente que os pais passem poucas horas do dia em família. Bem cedo deixam as crianças na escola, nos avós ou cuidadores, enquanto saem para o trabalho. Quando voltam já é tarde, fizeram suas refeições e logo caem na cama para descansar para o próximo dia. Com isso muito do vínculo e da comunicação pode se perder, caso esses pais não cultivem intencionalmente momentos de qualidade e conexão com sua família. 

É inquestionável a demanda do nosso tempo, a realidade econômica difícil de pais que precisam se desdobrar em vários empregos para sustentar as responsabilidades financeiras, mas precisamos atentar para algo de muito valor! A comunicação em família. 

Os vínculos familiares precisam ser gerados e cultivados para que não passemos a ser apenas pessoas que compartilham o mesmo endereço e o mesmo sobrenome. 

Especialmente quando os filhos chegam na adolescência, começam a perceber que seus pais não são os “heróis infalíveis” da sua infância, questionam seus erros, seus conceitos, seus métodos. Se aproximam muito do grupo da mesma idade que os acolhe em suas incompreensões, e se não houver um relacionamento já construído desde a infância, facilmente passam a se ver como “íntimos desconhecidos”. 

Pare. Olhe. Escute seus filhos! Eles tem muito a dizer, e precisam que a gente os ouça. 

Gravei esse vídeo a seguir no início da pandemia, em 2020. Mas ainda é tão atual! Assiste, entenda bem do que estou falando, e cuide do que o dinheiro não pode comprar ❤️. 

Seu filho come demais, é ansiedade?

Vamos começar com a gente? Qual sua relação com a comida? 

Já percebeu que quando há algo alterado no emocional isso afeta a forma como a gente come? Alguns demais, outros de menos… Especialmente alimentos ricos em açúcar e gorduras são procurados por muita gente para aliviar as tensões hormonais, sentimentais, etc. 

Isso acontece porque se alimentar é muito mais do que mastigar e engolir um alimento. Trazemos conosco impressões de toda nossa história com a comida, e da nossa família também! 

Se era forçado a comer, se desde pequeno usava a comida como fonte de alegria ou compensação, se era daqueles que “comia para viver ou vivia para comer”. Você se lembra de como era sua relação com os alimentos na infância? Mesmo memórias inconscientes afetam diretamente seus hábitos alimentares no dia de hoje.

Há muito tempo que não comemos apenas por necessidades fisiológicas, mas também por prazer. E não há nenhum problema em você se sentir feliz depois de uma boa refeição. Mas sem dúvida, se precisa da comida sempre e cada vez mais para isso, se só encontra nela essa satisfação, algo está errado! E neste caso a ajuda de profissionais é necessária (médico, nutricionista, psicólogo, educador físico, etc). 

Por isso faz muita diferença uma mesa posta, a refeição em família, de preferência sem distrações como eletrônicos, introdução alimentar saudável, no momento certo, e mesmo que seja um prato bem simples, mas quando apresentado limpo e arrumadinho, pois já traz outra cara para o nosso apetite ne? 

Temos a grande tendência em repetir padrões de comportamento das pessoas que convivem com a gente, especialmente nos primeiros anos de vida. Então se ninguém come salada em casa, “roemos”uma coisinha o tempo todo, não sentamos à mesa e comemos sem perceber, de pé, assistindo televisão ou rolando a timeline do Instagram, há uma grande possibilidade de influenciar negativamente o relacionamento das crianças da sua casa com a comida. 

Se você perceber estes sinais, atenção:

  • Mastigam pouco o alimento. 
  • Referem estar sempre “morrendo de fome”, choram se você procura estabelecer os horários das refeições, etc
  • Ingerem grande quantidade de comida em pouco tempo.
  • Comem indiscriminadamente, sem fome, com estresse ou outra emoção negativa.
  • Mentem dizendo que não comeram, mas você encontra pacotes de comida abertos ou escondidos no quarto. 
  • Apetite exagerado por doces, guloseimas, fast foods, abandono do paladar por alimentos saudáveis. 

Estes são sinais de que você precisa parar e reavaliar a alimentação da família! A ajuda de profissionais médicos, nutricionistas, fonoaudiologos, psicólogos, entre outras, pode ser necessário também.

Algumas dicas podem ajudar:

  • O leite materno até os 6 meses é o alimento mais completo e indicado para o bebê.
  • Não ofereça açúcar para as crianças antes dos dois anos de idade, pois ele torna o paladar da criança seletivo e interesse no humor e ciclo de sono/vigília. 
  • Também evite o sal no primeiro ano, e ao introduzir, em quantidades mínimas. A comida pode ser temperada com outras opções naturais e saudáveis como alho, limão, manjericão, tomilho, alecrim e orégano. 
  • Estabeleça os horários e rotinas de alimentação da família. Combine antecipadamente, e com as crianças bem pequenas, os quadros de atividades do dia podem ajudar, mostrando figuras representando a hora de comer, tomar banho, dormir, etc. 
  • Priorize os momentos em família à mesa.
  • Evite usar a comida para distrair seus filhos, desde pequenos! (sim, muitos mais usam biscoitos e doces para ocupar as crianças quando precisam que esperem ou se acalmem, e depois esse mecanismo vai fazendo parte dos hábitos deles…).
  • Nos lanches dê referência às frutas e opções saudáveis. 
  • Mesmo se for muito simples, se dedique em servir à mesa com capricho, alegria e com alimentos saudáveis. 
  • Finalmente, olhe pra você e seus hábitos, a gente ensina muito mais pelo exemplo do que pelas ordens que damos. 
  • Se for preciso, recomece de onde está, em direção a uma vida mais saudável, feliz e equilibrada. 

Com carinho, Dra Tati Lemos.